segunda-feira, 3 de setembro de 2012

CULTIVAR


Cultivares
 
maioria das cultivares de pimentas plantadas no Brasil como a '‘Malagueta’' (C. frutescens), 'Dedo-de-Moça' (C. baccatum), 'Cumari' (C. baccatum var. praetermissum), 'De Cheiro' e 'Bode' (C. chinense), são consideradas variedades botânicas ou grupos varietais, com características de frutos bem definidas. Normalmente, o produtor produz sua própria semente, e as diferenças existentes dentro destes grupos estão relacionadas às diferentes fontes de sementes utilizadas para o cultivo.
São poucos os programas nacionais de melhoramento de pimentas. Destes destaca-se o desenvolvimento de cultivares de pimenta doce para processamento industrial, como páprica doce e pimenta picante dos tipos 'Jalapeño' e 'Cayenne' para molhos líquidos, coordenado pela Embrapa Hortaliças. Os fatores que provavelmente restringem trabalhos de melhoramento com pimentas advém da dificuldade de se manusear as pequenas flores para a execução dos cruzamentos e multiplicação das sementes; a produção escassa de sementes por frutos, uma vez que estes normalmente são muito pequenos e ainda a picância extrema dos frutos, dificultando a extração das sementes. Outro fator importante é a área consideravelmente pequena de produção de pimentas, que implica no desinteresse das companhias de sementes de produzirem e comercializarem sementes.
Apesar do crescente interesse no cultivo pimentas, este ainda é feito por pequenos produtores que produzem suas próprias sementes ou compram frutos maduros em mercados e feiras e deles extraem as sementes que serão utilizadas para plantio. Normalmente estas sementes são de qualidade variável, apresentam baixa germinação e podem transmitir doenças, já que são obtidas sem seguir regras básicas para a produção de sementes. Na maioria das áreas cultivadas com pimentas, as plantas apresentam sintomas de mancha-bacteriana (Xanthomonas campestris pv. vesicatoria), doença transmitida a longas distâncias por meio de sementes.
Capsicum annuum é a espécie mais cultivada e inclui as variedades mais comuns deste gênero como pimentões e pimentas doces para páprica e consumo fresco e pimentas picantes como 'Jalapeño', 'Cayenne' entre outras, e ainda poucas cultivares ornamentais (Tabela 1). As pimentas dos tipos 'Jalapeño' e 'Cayenne' podem ser consumidas frescas, ou na forma de molhos líquidos (frutos maduros e vermelhos), desidratados na forma de flocos ou pó, ou ainda em conservas (verdes) e escabeches. Estas pimentas são cultivadas principalmente nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás.
Os tipos mais comuns e cultivados da espécie C. baccatum no Brasil são as pimentas 'Dedo-de-Moça', 'Chifre-de-Veado' e 'Cambuci' (também conhecida como 'Chapéu de Frade') (Tabela 1). Neste grupo de pimentas, a pungência dos frutos é menos intensa; há inclusive cultivares de pimenta 'Cambuci' que são doces. A pimenta 'Dedo-de-Moça' é cultivada principalmente nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul. Além de ser consumida fresca, em molhos e conservas, também é utilizada na fabricação de pimenta 'calabresa' (desidratada na forma de flocos com a semente). A pimenta 'Cumari' é bem popular na região Sudeste do Brasil e é encontrada também em estado silvestre, crescendo sob árvores diversas e em capoeiras. Normalmente as plantas são mantidas por alguns anos e chegam a formar verdadeiros arbustos. Os frutos desta pimenta são bem pequenos, arredondados ou ovalados, de coloração vermelha quando maduros.
C. chinense é a mais brasileira das espécies domesticadas e caracteriza-se pelo aroma acentuado dos seus frutos. Há tipos varietais desta espécie com frutos extremamente picantes, como a pimenta 'Habanero', muito popular no México. No Brasil, as mais conhecidas são as pimentas 'De Cheiro', 'Bode', 'Cumari do Pará', 'Murici', 'Murupi', entre outras. Há também, dentro da espécie, uma expressiva variabilidade de formatos e cores de frutos. A pimenta 'De Cheiro', que predomina no Norte do país, possui frutos de tom amarelo-leitoso, amarelo-claro, amarelo-forte, alaranjado, salmão, vermelho e até preto. A pungência também é variável, são encontrados frutos doces a muito picantes. Na região Centro-Oeste, é mais comum o cultivo da pimenta 'Bode', que tem frutos arredondados de cor amarela ou vermelha quando maduros, e da 'Cumari do Pará', que possui frutos ovalados de coloração amarela quando maduros. Ambas possuem pungência e aroma característicos que as distinguem das demais. A pimenta 'Murupi', cultivada nos estados do Amazonas e Pará, possui coloração amarela e o aroma das pimentas 'De Cheiro' e 'Bode'.
A espécie C. frutescens é representada pelo tipo de pimenta mais conhecido e consumido no Brasil, a pimenta '‘Malagueta’'. Plantada em todo o país, destacam-se os cultivos nos estados de Minas Gerais, Bahia e Ceará. Também pertence a esta espécie a pimenta 'Tabasco', conhecida mundialmente pelo molho de pimenta que leva seu nome. Estas pimentas são extremamente picantes, possuem frutos pequenos de formato alongado e de coloração vermelha quando maduros.
Existem no mercado algumas cultivares de pimenta sendo comercializadas, como ‘Agronômico 11’ (C. annuum), resultado de um programa de melhoramento desenvolvido pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC) visando resistência a viroses. Esta pimenta destina-se a consumidores que preferem frutos de pimenta doce no preparo de seus pratos.
Poucas companhias de sementes existentes no Brasil comercializam sementes de pimenta e aquelas que o fazem restringe-se a alguns tipos específicos, como cultivares de pimenta do tipo 'Jalapeño' (sementes importadas), 'Cambuci' ou 'Chapéu de Frade', '‘Malagueta’' e 'Dedo-de-Moça' (Tabela 1).
  Tabela 1. Características de cultivares e híbridos de pimenta disponíveis no mercado brasileiro.  
Cultivares
Ciclo (dias)
Início de colheita
(dias após semeadura)
Planta
Cor
do
Fruto
Formato
Peso médio de fruto / Tamanho (diam x comp.)
Outras
Características
Empresa
de
Sementes
Tipo ‘Malagueta’
‘Malagueta’
-
110-120
vigorosa
Verde/
Vermelho
alongado
0,6-0,8 x 3-4 cm
ardida
Sakata
‘Malagueta’
-
100-120
vigorosa
Verde/
Vermelho
filiforme
2-3 cm comprimento
picante e produtiva
Horticeres
‘Malagueta’
-
100-120
arbustiva
Verde/
Vermelho
alongado
0,6-0,7 g / 0,5 x 2,0 cm
muito picante
Topseed Garden
‘Malagueta’
-
100
-
Verde/
Vermelho
piramidal
0,5-1,0 x 2-5 cm
picante
Isla
‘Malagueta’
-
110
-
Verde/
Vermelho
alongado
-
muito picante
Feltrin
Tipo Dedo-de-Moça
Dedo-de-Moça’
90
(verão)
-
-
verde/
vermelho
-
1,2 x 8-10 cm
picante
Isla
Dedo-de-Moça’
-
100-120
arbustiva
verde/
vermelho
cilíndrico
1 x 13 cm
saborosa e picante
Topseed Garden
Dedo-de-Moça’
-
110
-
verde/
vermelho
cilíndrico
-
picante
Feltrin
Tipo Cambuci
Chapéu-de-Bispo’
90 (verão)
-
-
verde-
claro
achatado
4-6 x 3-5 cm
sabor bem adocicado
Isla
‘Cambuci’
-
110-130
vigorosa
verde-
claro
achatado
30-40 g / 6-7 x 5-7 cm
doce
Sakata
‘Chapéu-de-Bispo’
-
100-120
arbustiva
verde/
vermelho
achatado
-
levemente picante
Topseed Garden
Tipo Americana (doce)
Agronômico 11
-
110-130
vigorosa e produtiva
verde-claro
alongado
50-60 g / 3,5-4,5 x 16-19 cm
resistente a PVY
Sakata
‘Híbrido Dirce R’
-
110-130
Vigorosa
verde
alongado
110-130 g / 20-22 cm
comp.
resistente a PVY (estirpe 1-2) e ToMV
Sakata
‘Amarela Alongada’
100
-
-
Verde
claro/
amarelo
comprido
10-15 cm comp.
sabor Adocicado
Isla
‘Híbrido Canal’
-
80-80
Vigorosa
Verde-claro brilhante
cônico
110-120 g / 5-6 x 25-27 cm
sabor suave
Petossed/
SVS
‘Híbrido Lipari’
-
-
-
verde-
escuro/
vermelho
alongado
130 g / 5 x 27 cm
resistente a TMV
Clause / Sakama
‘Híbrido Pinóquio’
-
-
-
verde-
escuro/
vermelho
alongado
130 g
alta produtividade
Clause / Sakama
‘Híbrido P-240’
-
-
-
verde-limão
alongado
120 g / 5 x 25 cm
resistente a TMV
Clause/
Sakama
‘Híbrido Jully’
85
-
vigorosa e precoce
verde-
escuro/
vermelho
cônico
180 g
resistente a TMV
Topseed Premium
Híbrido Foulki
100
-
porte
médio
verde-escuro brilhante
cônico
180-200 g
resistente a TMV
Topseed Premium
Doce Italiana
-
100-110
vigorosa
verde/
vermelho
cônico
200 g / 5 x 18 cm
sabor suave
Topseed Garden
Tipo Jalapeño (picante)
Jalapeño
95
-
vigorosa
verde/
vermelho
cônico
45 g / 3,5 x 9,0 cm
resistente a TMV
Topseed Garden
Jalapeño
M
95
-
vigorosa
verde/
vermelho
cônico
45 g / 3,5 x 9,0 cm
resistente a TMV e CMV
Topseed Premium
Firenza
-
-
vigorosa
verde/
vermelho
cônico
-
muito picante
Rogers/
Agrocinco
Híbrido Jalapeño
Plus
Ciclo
Médio
-
vigorosa
verde/
vermelho
cônico
45 g / 3,5 x 9,0 cm
resistente a CMV e TNV
Petoseed/
SVS
Híbrido Grande
75-90
-
vigorosa
verde/
vermelho
cônico
3-5 x 9-11 cm
alta produtividade
Petoseed/
SVS
Híbrido
Mitla
70-85
-
vigorosa
verde/
vermelho
cônico
3-4 x 8-9 cm
alta Produtividade
Petoseed/
SVS
Híbrido
Tula
65-70
-
-
verde/
vermelho
cônico
4 x 11 cm
resistente a PVY P0 e TEV
Petoseed/
SVS
Outros Tipos (picantes)
Cayenne Long Slim
-
110-120
arbustiva
verde/
vermelho
cilíndrico
10 g / 1 x 13 cm
frutos para conservas
Topseed
Malacante
-
100-110
arbustiva
verde/
vermelho
cilíndrico
10 g / 2 x 10 cm
frutos picantes
Topseed
Híbrido Torito
2137
-
-
-
verde/
vermelho
alongado
1,3-1,5 x 15-18 cm
frutos para conservas
Sakama
Híbrido Caliente
2138
-
-
-
verde/
vermelho
alongado
1,5 x 18
frutos para conservas
Sakama
Amarela Comprida
-
115-125
arbustiva e ereta
amarela
cônico
-
sabor picante
Topseed Garden
  Fonte: Elaborada a partir de informações contidas em catálogos e sites das empresas de sementes Sakata,


Desenvolvimento de mudas

Em bandejas de isopor
A produção de mudas em bandejas deve ser feita em ambiente protegido, como telados. A técnica mais recomendável para se produzir mudas é de semeio em bandejas de isopor de 128 células, preenchidas com substrato comercial ou preparado na propriedade, colocando uma semente por célula. Caso haja comprometimento da germinação, o ideal é aumentar o semeio para três sementes/célula, procedendo-se a um desbaste posteriormente, se necessário, através do corte com tesoura, rente ao colo das mudas menos vigorosas quando estas apresentam pelo menos duas folhas definitivas. O arranquio das mudas germinadas em excesso não é recomendado pelo risco de comprometer o sistema radicular da muda remanescente na célula.
As bandejas devem ser colocadas em suporte tipo bancada, formada por tela de arame ou somente por fios de arame a 0,60-0,70 m do solo, a fim de que haja luz na parte inferior da bandeja. Este cuidado impede o desenvolvimento das raízes por baixo da bandeja, o que facilita a retirada das mudas por ocasião do transplante, evita injúrias às raízes novas e não cria condições para infecção das mesmas por fungos e bactérias do solo.
As irrigações (duas vezes por dia, no máximo) deverão ocorrer nas horas de temperaturas mais amenas, ou seja, no início da manhã e final da tarde, utilizando-se água fresca e em quantidade suficiente para que se verifique apenas o início da drenagem (gotejamento) na parte inferior da bandeja. O cuidado nas irrigações é fundamental para se obter mudas de boa qualidade. Em caso de necessidade, deve ser feita uma adubação foliar após o desbaste, pulverizando-se as mudas com uma solução de adubo foliar com uma formulação de macro + micronutrientes. Deve-se evitar o excesso de nitrogênio para não favorecer a proliferação de doenças fúngicas nos tecidos foliares.
Em sementeiras
As sementeiras devem ser preparadas com revolvimento da terra, destorroamento e correção da fertilidade com base na análise química do solo. Os canteiros devem ter de 1,0 a 1,2 m de largura, 0,20 a 0,25 m de altura e comprimento de acordo com a necessidade de mudas. As sementes devem ser distribuídas uniformemente em sulcos transversais ao canteiro, distanciados 0,10 m um do outro e com 1,5 a 2,0 cm de abertura e 1,0 a 1,5 cm de profundidade. Gastam-se de 3 a 5 gramas de sementes por metro quadrado de sementeira. Após a distribuição, as sementes devem ser cobertas com terra do sulco. A colocação de uma cobertura com saco de aniagem sobre o canteiro evita que o impacto das gotas da água de irrigação ou de chuva desenterrem ou afundem as sementes, prejudicando a germinação ou a emergência. O número de sementes é de aproximadamente 200 por grama. A área da sementeira deve ser calculada com base na área que será plantada e no espaçamento a ser utilizado.
Compra de mudas
Atualmente é possível adquirir mudas ou contratar a produção das mesmas com profissionais que se dedicam a esta atividade. Este sistema é recomendado para cultivo em áreas maiores e apresenta como principais vantagens a rapidez na obtenção das mudas, assim como a boa qualidade das mesmas. O produtor pode fornecer ao viveirista suas próprias sementes ou indicar a cultivar ou variedade e adquirir as sementes no mercado.

Plantio

O transplante é realizado quando as mudas apresentarem de 4 a 6 folhas definitivas ou aproximadamente 10cm de altura. No caso de terem sido formadas em sementeiras, as mudas devem ser retiradas com cuidado, preferencialmente com o torrão para se evitar danos às raízes.
Os espaçamentos dos sulcos de plantio ou canteiros são definidos de acordo com a cultivar ou tipo de pimenta, região de plantio ou ciclo da cultura (Tabela 1). Em regiões de inverno rigoroso, a cultura é eliminada em meados de abril-maio, com aproximadamente 150 dias de ciclo. O mesmo acontece com as culturas de pimenta destinadas à industrialização para páprica, quando o campo é eliminado após 2 a 3 colheitas. Em regiões onde o ciclo da cultura pode ser prolongado por até um ano, é necessário garantir espaço adequado para crescimento vegetativo da pimenteira.
  Tabela 1. Informações sobre espaçamentos, época de plantio e ciclo dos principais tipos de pimentas em diferentes regiões do país.  
Região
Tipo de Pimenta
Espaçamento
(m x m)
Estande
(nºplantas/ha)
Época da semeadura
Ciclo da cultura
São Paulo
‘Dedo-de-Moça’
1,50 x 1,00
6.500
dezembro a janeiro
12 meses
Goiás e DF
‘De Cheiro’, ‘Bode’, ‘Cumari do Pará’
1,20 x 0,80
10.400
novembro a janeiro
12 meses

‘‘Malagueta’’
1,50 x 1,00
6.500
novembro a janeiro
12 meses
Catalão-GO
‘Jalapeño’
1,00 x 0,33
30.000
fevereiro a março
6 a 7 meses
Paraopeba - MG
‘‘Malagueta’’
1,00 x 0,80
12.500
dezembro
12 meses
Pelotas - RS
‘Dedo-de-Moça’
0,80 x 0,50
25.000
agosto
8 meses
Ceará
‘Tabasco’






Trato do cultivo

Durante o ciclo da pimenteira devem ser realizadas várias práticas culturais, tais como irrigação (ver Irrigação), manejo de plantas invasoras (ver Manejo de plantas daninhas), de insetos pragas (ver Pragas e métodos de controle) e patógenos (ver Doenças e métodos de controle), adubação de cobertura (ver Adubação), desbrota, tutoramento e ‘mulching’.
As plantas de pimentão são tutoradas tanto no sistema de cultivo protegido como em campo aberto,. As hastes lenhosas da maioria dos tipos de pimenta dispensam tutoramento e desbrota. Entretanto, caso apareçam brotações na haste principal abaixo da primeira bifurcação, elas podem ser retiradas. Em locais de ventos fortes, pode ocorrer a necessidade de se fazer tutoramento da planta (colocando-se uma estaca de madeira ou bambu junto à planta) ou o plantio de quebra-vento em volta do campo (capim-elefante, milho, cana-de-açúcar).
Para se evitar o aparecimento de plantas invasoras, a ocorrência de doenças de solo, manter a temperatura do solo e reduzir a evaporação da água do solo, pode-se colocar um filme de plástico de cor negra (‘mulching’) ou dupla-face, ou seja, negro de um lado e branco e outro. Neste caso, o lado branco deve ficar para cima para refletir a radiação, e assim evitar o aquecimento do solo. A colocação do filme pode ser feita antes ou após o transplante.

Irrigação

A produção de pimentas em regiões com chuvas regulares e abundantes pode ser realizada sem o uso da irrigação. Todavia, em regiões com precipitação mal distribuída ou deficitária, o uso da irrigação é decisivo para a obtenção de altos rendimentos em cultivos comerciais.
A deficiência de água, especialmente durante os estádios de floração e pegamento de frutos, reduz a produtividade em decorrência da queda de flores e abortamento de frutos. Todavia, plantas de pimenta submetidas a deficiência moderada de água no solo produzem frutos mais pungentes, com maior teor de sólidos solúveis e de matéria seca. O excesso de água no solo também pode comprometer a produção de pimentas. Irrigações excessivas, principalmente em solos de drenagem deficitária, prejudica a aeração do solo e favorece o desenvolvimento de várias doenças de solo, como a causada por Phytophthora capsici.
A produtividade, a qualidade de frutos e a ocorrência de doenças também podem ser afetadas pela forma com que a água é aplicada às plantas, ou seja, pelo método de irrigação utilizado. Assim, o suprimento de água às plantas no momento oportuno e na quantidade correta, além da forma que a água é aplicada às plantas, é decisivo para o sucesso da cultura.
Alguns problemas freqüentemente observados, relacionados ao manejo inadequado da irrigação e à utilização de sistemas de irrigação não apropriados, são: baixa eficiência no uso de água, de energia e de nutrientes, maior incidência de doenças fúngicas e bacterianas, baixa produtividade e redução na qualidade de pimentas (pungência, coloração, etc.)
SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO
Vários são os sistemas que podem ser utilizados para a irrigação da cultura de pimentas. A escolha deve ter como base a análise de vários fatores, tais como: tipo de solo, topografia, clima, custo do sistema, uso de mão-de-obra e energia, incidência de pragas e doenças, rendimento da cultura, quantidade e qualidade de água disponível.
Na Tabela 1 são apresentadas algumas características dos principais sistemas de irrigação que podem ser utilizados na cultura. No Brasil, a cultura de pimentas é irrigada principalmente pelos sistemas por aspersão, seguido pelo sistema por sulcos e, em menor escala, pelo gotejamento.
Dentre os sistemas por aspersão, o convencional semiportátil é o mais utilizado. Para a produção de pimentas em larga escala, como para páprica, tem sido utilizado o sistema pivô central. A principal vantagem da aspersão é a possibilidade de ser utilizada nos mais diversos tipos de solo e topografia e ter menor custo que o gotejamento. Por outro lado, favorece maior incidência de doenças foliares, principalmente, por remover agrotóxicos e propiciar condições de alta umidade junto ao dossel das plantas.
Dentre os sistemas superficiais, o por sulcos é o mais indicado, sendo utilizado principalmente pelos pequenos produtores de pimentas. Apresenta as vantagens de não molhar a parte aérea das plantas e ter custo inicial inferior aos demais sistemas. Não é recomendado para solos com alta taxa de infiltração, como os arenosos, terrenos de topografia declivosa ou ondulada. Outros sistemas superficiais, a exemplo da irrigação por faixas e inundação, mesmo que temporária, não devem ser utilizados, haja vista que a cultura não tolera solos com aeração deficiente.
Mais recentemente, alguns produtores de pimenta ‘Malagueta’ no estado do Ceará têm optado pelo uso do gotejamento. A grande vantagem do sistema consiste na aplicação da água de forma localizada na zona radicular sem atingir a parte aérea das plantas, minimizando a ocorrência de doenças. A fertirrigação e a economia no uso de água, em geral entre 20 e 30%, são outros grandes trunfos do gotejamento frente aos demais sistemas de irrigação. Fertilizantes, como nitrogênio e potássio, podem ser aplicados de forma parcelada via irrigação, aumentando a eficiência no uso dos mesmos e a produtividade. As principais desvantagens são o maior custo do sistema e o risco de entupimento. O custo está diretamente relacionado ao espaçamento entre linhas de plantio; assim, o sistema é mais recomendado para as pimentas cultivadas com espaçamento entre linhas acima de 1,0 m, como a ‘Malagueta’ ou aquelas com alto retorno econômico. A presença de partículas sólidas e orgânicas, de carbonatos, de ferro e de bactérias na água e a formação de precipitados insolúveis dentro da tubulação são as principais causas de entupimento de gotejadores. Este problema pode ser eficientemente contornado utilizando-se sistemas de filtragens e realizando-se o tratamento químico da água quando necessário.
Por não molharem a folhagem das plantas, os sistemas por sulcos e gotejamento podem favorecer, por outro lado, ácaros e insetos, a exemplo de pulgões, os quais são agentes transmissores de viroses, além de doenças como o oídio. A irrigação por sulcos pode favorecer ainda a disseminação de fungos e bactérias ao longo dos sulcos por meio da água de irrigação.
NECESSIDADE DE ÁGUA DA CULTURA
A necessidade total de água da cultura de pimentas é variável, pois além das condições climáticas, depende grandemente da duração do ciclo de desenvolvimento de cada cultivar. Em termos gerais, varia de 500 a 800mm, podendo ultrapassar os 1.000mm para cultivares de ciclo longo. A necessidade diária de água, também chamada de evapotranspiração da cultura, engloba a quantidade de água transpirada pelas plantas mais a água evaporada do solo, sendo expressa em mm/dia, varia de 4 a 10mm/dia no pico de demanda da cultura.
A cultura da pimenta apresenta quatro estádios distintos de desenvolvimento com relação às necessidades hídricas. A duração de cada estádio depende da cultivar, condições edafoclimáticas e sistema de cultivo.
Estádio Inicial
O estádio inicial de estabelecimento da cultura, no caso de semeio direto no campo, vai da semeadura até as plantas atingirem 4 a 6 folhas definitivas. Para o plantio por mudas, este estádio ocorre 5 a 10 dias após o transplante. A deficiência de água pode prejudicar a germinação de sementes e o pegamento de mudas, comprometendo o estande e a produtividade. Irrigações em excesso, tanto neste quanto nos estádios subseqüentes, favorecem a maior incidência de doenças de solo.
Da semeadura até a emergência de plântulas, as irrigações devem ser leves e freqüentes procurando manter a umidade da camada superficial do solo (0 a 15cm) próxima à capacidade de campo. Neste estádio, o turno de rega médio varia de 1 a 4 dias, dependendo do tipo de solo e condições climáticas. Em solos arenosos e sob condições de alta temperatura e baixa umidade relativa do ar, por exemplo, as irrigações devem ser diárias. Sob condições climáticas extremas, podem ser necessários vários parcelamentos diários da irrigação por gotejamento.
No caso de transplante de mudas, o solo deve ser previamente irrigado, realizando uma segunda irrigação imediatamente a seguir. Daí até o estabelecimento das mudas, as irrigações devem ser realizadas a cada um a dois dias; em solos arenosos pode ser necessária mais de uma irrigação por dia.
A primeira irrigação, realizada antes do plantio ou do transplante, deve ser suficiente para elevar a umidade do solo até a capacidade de campo nos primeiros 30cm do solo. A lâmina de água a ser aplicada, dependendo do tipo e da umidade inicial do solo, varia de 15 a 25mm para solos de textura grossa e de 30 a 50mm para os de texturas média ou fina.
Estádio Vegetativo
Compreende o período entre o estabelecimento inicial das plantas e o florescimento pleno. Limitações no desenvolvimento vegetativo das plantas, resultantes da ocorrência de déficit hídricos moderados, têm pequeno efeito na produção desde que o suprimento de água no estádio reprodutivo (floração e frutificação) seja adequado. Ademais, deficiência moderada de água favorece maior desenvolvimento em profundidade do sistema radicular das plantas.
Irrigações excessivas, principalmente por aspersão, tanto neste quanto nos estádios seguintes, favorecem a maior ocorrência de doenças fúngicas e bacterianas, além de aumentar a lixiviação de nutrientes, especialmente de nitratos.
Estádio Reprodutivo
Estádio que vai da floração plena até o início da maturação de frutos. É comum, entre os diferentes tipos de pimentas, a ocorrência de um período onde existem flores, pimentas verdes e maduras, o que requer a realização de várias colheitas. Neste caso, o término do estádio reprodutivo deve ser estendido até o início da maturação das pimentas a serem apanhadas na colheita de maior produção.
O estádio reprodutivo é o mais crítico em relação à deficiência de água, especialmente durante o florescimento e pegamento de fruto. A deficiência de água favorece a queda de flores e o abortamento de frutos, além de reduzir o tamanho de fruto e favorecer a ocorrência de podridão apical. Irrigações excessivas, em solos com drenagem deficiente, prejudica a aeração do solo e favorece doenças, comprometendo a produtividade e aspectos qualitativos dos frutos. Irrigações freqüentes por aspersão devem ser evitadas em condições onde a podridão de frutos e doenças foliares são problemáticas.
Estádio de Maturação
Período entre o início da maturação de frutos e a última colheita. É o estádio menos sensível à deficiência de água no solo. Irrigações freqüentes podem prejudicar a qualidade de frutos e favorecer maior incidência de doenças, principalmente quando realizada por aspersão.
Melhor qualidade de frutos, como maior pungência em pimentas picantes, maior teor de sólidos solúveis em pimentas para molho líquido, maior teor de matéria seca e melhor coloração em pimentas para páprica e maior concentração na maturação, pode ser obtida submetendo as plantas a níveis moderados de deficiência de água no solo, por meio da adoção de turnos de rega mais espaçados que no estádio reprodutivo e/ou da antecipação do final das irrigações.
MANEJO DA ÁGUA DE IRRIGAÇÃO
A reposição da água do solo no momento oportuno e na quantidade adequada envolve parâmetros relacionados à planta, ao solo e ao clima. Existem vários métodos disponíveis para o controle da irrigação, que apresentam vantagens e desvantagens. Métodos que permitem um controle criterioso, como o do balanço hídrico e o da tensão da água do solo, baseiam-se no conhecimento de propriedades físico-hídricas do solo, necessidades hídricas específicas da cultura e fatores climáticos associados a evapotranspiração. Estes métodos requerem equipamentos para o monitoramento da umidade do solo (tensiômetros, blocos de resistência elétrica, etc.) e/ou equipamentos para estimativa da evapotranspiração (tanque Classe A, termômetros, higrômetros, radiômetros etc.), além de pessoal qualificado.
Para a produção de pimentas em grande escala é aconselhável o uso de um método com melhor precisão que o apresentado anteriormente, como aqueles baseados na avaliação da umidade do solo e/ou da evapotranspiração da cultura em tempo real.
A precisão do método do turno de rega simplificado pode ser sensivelmente melhorada calculando-se a evapotranspiração da cultura em tempo real. Assim, o valor de ETc a ser considerado deve ser igual à média da evapotranspiração ocorrida no período entre duas irrigações consecutivas. Uma forma simples para o cálculo da evapotranspiração é o uso do tanque classe A, que pode instalado nas imediações ou dentro da área cultivada.
O manejo da irrigação pode também ser realizado por sensores que medem a tensão da água no solo, ou seja, a ‘força’ com que a água é retida pela matriz do solo. Desta forma, pode-se determinar o momento exato de se irrigar e a quantidade de água a ser aplicada por irrigação. Para a cultura de pimenta irrigada por aspersão ou sulcos, a tensão recomendada varia entre 25 e 30 kPa, durante o estádio reprodutivo, entre 50 e 60 kPa durante os estádios vegetativo e de maturação. Para gotejamento, a tensão recomendada varia de 10 a 15 kPa. O sensor mais utilizado para medição da tensão é o tensiômetro.
Um sensor de baixo custo e manutenção, recentemente desenvolvido pela Embrapa Hortaliças, é o ‘Irrigas’. O sensor não fornece leituras de tensão, mas somente indica se a tensão de água do solo está abaixo ou acima 25 kPa. Assim, pode ser utilizado durante a estádio reprodutivo da cultura de pimentas sob irrigação por aspersão ou sulcos. Na versão atualmente disponível, o sensor não é recomendado para gotejamento.
FERTIRRIGAÇÃO
Fertirrigação é o processo de aplicação de fertilizantes via água de irrigação. É apropriada para uso em sistemas por aspersão tipo pivô central e, principalmente, por gotejamento. Pela facilidade de aplicação, os fertilizantes podem ser injetados na tubulação de forma parcelada para atender às necessidades das plantas. O parcelamento permite manter o nível de fertilidade no solo próximo ao ideal durante todo o desenvolvimento da cultura, possibilitando incrementos de produtividade e minimizando a lixiviação de nutrientes.
Os principais dispositivos de injeção são: tipo venturi, tanque de diferencial de pressão e bombas injetoras (diafragma e pistão). Todos os dispositivos podem ser utilizados em sistemas por gotejamento, sendo a bomba de pistão a melhor opção para pivô central. O venturi é o mais utilizado em sistemas por gotejamento, devido seu baixo custo.
Os nutrientes mais aplicados via fertirrigação são os de maior mobilidade no solo, como o potássio e nitrogênio. O fósforo e outros nutrientes pouco móveis devem ser fornecidos, preferencialmente, como adubação básica de plantio.
Para gotejamento sugere-se aplicar de 10% a 20% da recomendação total de nitrogênio e de potássio em pré-plantio, para se ter uma reserva no solo e favorecer o desenvolvimento inicial do cultivo. O restante é fornecido via fertirrigação à medida que as plantas se desenvolvem. A ocorrência de podridão apical e a necessidade de pulverizações foliares com cálcio podem ser eliminadas aplicando-se parte do cálcio via fertirrigação durante o florescimento e a frutificação. Para solos arenosos, a fertirrigação deve ser realizada a cada 1 a 2 dias, enquanto para solos argilosos pode-se adotar uma freqüência de uma a duas vezes por semana.
Para pivô central, aplicar 1/3 do nitrogênio em pré-plantio e parcelar o restante via água de irrigação, a partir de 30 dias após o plantio, a cada duas a três semanas até o início da maturação. O potássio e o cálcio, embora menos utilizados, também podem ser aplicados via água.
Os principais fertilizantes utilizados via água são: uréia, cloreto de potássio, nitrato de cálcio, nitrato de potássio, sulfato de amônio, sulfato de potássio e cloreto de cálcio. O cálcio não deve ser aplicado em água contendo bicarbonato (acima de 400 mg/L) ou ser injetado simultaneamente com fertilizantes à base de sulfatos ou fosfatos sob o risco de precipitar e causar entupimento de tubulações e emissores.
  Tabela 1. Eficiência de irrigação, custo inicial, uso de energia e mão-de-obra para diferentes sistemas de irrigação.  
Sistema
Eficiência1 (%)
Custo (R$/ha)
Energia2 (kWh/mm/ha)
Mão-de-obra (h/ha/irrigação)
Sulcos
40 - 70
800 - 1.500
0,3 - 3,0
1,0 - 4,0
Convencional portátil
60 - 75
1.000 - 2.000
3,0 - 6,0
1,5 - 3,0
Convencional semi-portátil
60 - 75
1.500 – 2.500
3,0 - 6,0
0,7 – 2,5
Convencional permanente
70 - 85
3.000 - 5.000
3,0 - 6,0
0,2 - 0,5
Autopropelido
60 - 70
2.000 - 3.000
6,0 - 9,0
0,5 - 1,0
Pivô central
75 - 90
2.000 - 3.500
2,0 - 6,0
0,1 - 0,7
Gotejamento
75 - 95
3.000 - 6.000
1,0 - 4,0
0,1 - 0,3
  1 Em sistemas mal dimensionados e sem manutenção adequada à eficiência pode ser ainda mais baixa.
2 Altura de recalque entre 5 e 50 m. Dividir por 3,2 para estimar litros de diesel/mm/ha.


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